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	<title>Dia Mundial da Fibromialgia Archives - My Reumatologia</title>
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		<title>Dia Mundial da Fibromialgia: “O patinho feio da Medicina”</title>
		<link>https://myreumatologia.pt/opiniao/dia-mundial-da-fibromialgia-o-patinho-feio-da-medicina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniela Filipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 May 2021 07:57:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Mundial da Fibromialgia]]></category>
		<category><![CDATA[Fibromialgia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A propósito do Dia Mundial da Fibromialgia, assinalado a 12 de maio, leia a opinião do Prof. Doutor&#160;José António Pereira da Silva, professor catedrático de Reumatologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, diretor do Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e diretor científico do projeto&#160;MyFibromyalgia. O especialista fala sobre [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A propósito do Dia Mundial da Fibromialgia, assinalado a 12 de maio, leia a opinião do Prof. Doutor&nbsp;José António Pereira da Silva, professor catedrático de Reumatologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, diretor do Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e diretor científico do projeto&nbsp;MyFibromyalgia. O especialista fala sobre como é encarada a fibromialgia, nos dias que correm, pelos médicos, doentes e sociedade em geral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fibromialgia persiste como o patinho feio da Medicina e, em especial, da Reumatologia. Os doentes sofrem de dores que tipicamente afetam o corpo todo, cansaço excessivo, por vezes ao nível da exaustão, perturbações do sono e da memória, bem como tendência à depressão, além de muitos outros sintomas. Esta condição incapacitante, que afeta cerca de 4% das mulheres adultas e 2% dos homens, tem um tratamento geralmente insatisfatório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitos médicos continuam de manifestar a sua relutância e incómodo em cuidar estas pessoas e alguns expressam mesmo a convicção de que a doença não existe! Muitos doentes relatam ter ouvido de médicos a afirmação de que: “<em>Está tudo na sua cabeça!” –&nbsp;</em>como se o portador de fibromialgia pudesse dispensar a cabeça da sua vida ou entrar no consultório sem ela, como se pudesse manipular livremente tudo o que se lá passa, como se não habitasse nela o grande maestro toda a maravilha da existência, o órgão mais complexo do corpo humano, quiçá, de toda a existência!</p>



<p class="wp-block-paragraph">É também na cabeça que habitam doenças de inquestionada autonomia e destacado impacto social, como as doenças do foro psicológico em geral. Também elas, como a fibromialgia, são desprovidas de alterações físicas observáveis ou de provas laboratoriais de sua existência! Também elas, como a fibromialgia, derivam a sua autonomia da experiência clínica acumulada e do consenso de médicos e investigadores. Também elas têm o seu diagnóstico formal dependente de inquéritos e critérios subjetivos. Também elas, como a fibromialgia, veem a sua autonomia demonstrada por estudos biológicos avançados e inquestionáveis, ainda que exteriores à prática regular da Medicina, como seja a ressonância magnética funcional. Esses estudos tornam evidente, para além de qualquer suspeita, que o doente com fibromialgia sofre efetivamente as dores que descreve: são os centros cerebrais que gerem a dor que se ativam quando o doente descreve dor, não os centros da imaginação!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Demonstrado isto, é, obviamente, inaceitável do ponto de vista científico e ético, que os doentes com fibromialgia continuem a receber, por parte dos profissionais de saúde, manifestações de desinteresse, suspeição ou invalidação! É sumamente injusto que a fibromialgia continue a ser simplesmente descartada como causa de incapacidade para fins de segurança social! É igualmente lamentável, embora mais compreensível, que o mesmo se passe com familiares, empregadores, colegas, serviços sociais e sociedade em geral!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Compreende-se, naturalmente, que o médico tenha dificuldade em lidar com uma doença que não tem sinais objetivos nem alterações laboratoriais, mas poderia isso justificar que se desse ao direito de descartar a depressão ou a esquizofrenia, por exemplo? Poderia isso tornar razoável que dissesse ao doente: “<em>Está tudo na sua cabeça</em>”, que é como quem diz: “<em>Trate você disso! Resolva-se!!</em>”. Seria concebível que o médico dissesse ao doente com diabetes: “<em>O seu problema é falta de insulina. Está tudo no seu pâncreas! Resolva isso!</em>”?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Compreende-se ainda que o médico tenha reservas na aceitação plena de uma condição com mecanismos tão complexos e misteriosos como a fibromialgia, ainda por cima, desprovida de meios eficazes de tratamento. Mas isso não lhe dá o direito de duvidar da existência do que só o doente pode avaliar: dor e cansaço, por exemplo. Será forçoso reconhecer que a limitação atual na compreensão da fibromialgia está na ignorância do médico ou da Medicina – é completamente despropositado colocar essa responsabilidade (ou a “culpa” – é assim que os doentes se sentem!) aos ombros do doente. Já lhes basta ser a principal vítima da falta de meios eficazes de tratamento, também ela responsabilidade da Medicina!</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pessoa com fibromialgia sofre aquilo que diz que sofre!</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para mais informação visite:&nbsp;<a href="http://www.myfibromyalgia.org/" target="_blank" rel="noopener">www.myfibromyalgia.org</a>.</p>
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